Sul da Lagoa dos Patos após evento climático extremo: avaliação ecotoxicológica da água no cladócero Daphnia magna
Autor: Eduarda Rodrigues Pinheiro (Currículo Lattes)
Resumo
A variação climática global, intensificada por atividades antrópicas, tem contribuído para a ocorrência de eventos extremos, como as inundações, cada vez mais frequentes e severas. Em abril de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou um evento de grande magnitude, considerado o mais grave já registrado no estado, afetando diversos municípios, especialmente o Vale do Taquari, e provocando a cheia de rios que drenam para o sistema Guaíba-Lagoa dos Patos. A elevação desses corpos hídricos deslocou a água para o sul, em direção ao Oceano Atlântico, formando uma pluma de sedimentos com contaminantes como esgoto doméstico, resíduos industriais e agrícolas, produtos químicos, pesticidas e plásticos. Nesse contexto, torna-se fundamental a análise ecotoxicológica da água para compreender possíveis alterações da água do ponto de vista toxicológico. Assim, o presente estudo avaliou a qualidade da água superficial da Lagoa dos Patos, através de ensaios de toxicidade aguda e biomarcadores celulares e comportamentais no microcrustáceo Daphnia magna. Os organismos foram expostos a água coletada em um ponto fixo durante três meses pós-enchente, sendo analisados ensaios de toxicidade aguda, biomarcador celular (Resistência a Múltiplos Xenobióticos - MXR) e comportamental (atividade e distância), além da análise de parâmetros físico-químicos e da concentração de microplásticos como indicador ambiental. Os resultados indicaram ausência de efeitos letais, mas aumento significativo na atividade de defesa celular e na atividade locomotora dos organismos em relação ao controle. A turbidez foi a principal variável associada aos biomarcadores, indicando redução do MXR em águas mais turvas e influência sobre respostas comportamentais. As demais variáveis, incluindo microplásticos, apresentaram baixa relação e, apesar da ausência de significância nos modelos, a turbidez mostrou maior poder explicativo. Esses achados evidenciam variações nos parâmetros ao longo dos meses analisados, com ausência de efeitos letais, mas presença de efeitos subletais mais sensíveis, evidenciados por meio dos biomarcadores.