Efeitos da estabilidade hidrológica nas dinâmicas de eclosão de invertebrados aquáticos em áreas úmidas intermitentes
Autor: João Afonso Poester Carvalho (Currículo Lattes)
Resumo
Invertebrados aquáticos que habitam áreas úmidas intermitentes produzem estágios dormentes que se acumulam no sedimento, formando um banco que pode permanecer viável por muito tempo. O banco de estágios dormentes permite a resiliência da comunidade durante eventos de seca, e permite o recrutamento de indivíduos que eclodem durante o período de inundação. Áreas úmidas intermitentes estão sujeitas a diferentes variações hidrológicas, resultantes, por exemplo, de condições locais de sedimento. A variação hidrológica afeta o ciclo de produção dos ovos e a suas adaptações com relação ao momento de eclosão. Além disso, a eclosão dos organismos após o período de seca, é um momento decisivo para a capacidade de completar o ciclo reprodutivo e se estabelecer na comunidade ativa. O presente trabalho buscou avaliar os efeitos da estabilidade hidrológica de áreas úmidas intermitentes na estrutura da comunidade e na dinâmica de eclosões dos estágios dormentes de invertebrados. Foram selecionadas 10 áreas úmidas em duas matrizes ambientais com estabilidade hidrológica distinta (campos e dunas) e realizado um experimento de incubação de sedimento ex situ. O sedimento foi incubado em condições controladas e as eclosões foram monitoradas por 27 dias. Um total de 1469 invertebrados de 22 táxons eclodiram no experimento. A riqueza não foi diferente, entre as campos e dunas nem entre as semanas de hidratação, mas a composição sim. A composição apresentou alta variabilidade e pode ter sido influenciada pela diferença de estabilidade hidrológica. Os resultados demonstram que tanto em áreas úmidas de dunas como de campos, independente da estabilidade hidrológica, os táxons espalham suas eclosões ao longo das semanas de hidratação. A variação de estabilidade hidrológica é um fator a ser considerado nas análises das comunidades de invertebrados de ambientes aquáticos intermitentes, mas, no contexto analisado no presente trabalho, em ambientes com pouca permanência de água, não foi suficiente para resultar em dinâmicas de eclosão com diferenças perceptíveis.